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Crise

Crise

está a aumentar número de casos de alcoolismo

2014-03-21 15:27:33.61
em Portugal

 
A crise está a aumentar o número de casos de alcoolismo e a tornar os consumos mais perigosos sobretudo nas bebidas destiladas e cerveja alerta o presidente da Sociedade Portuguesa de Alcoologia. "Aquilo que verificámos em estudos e padrões de consumo é que tem havido um aumento progressivo do consumo de bebidas destiladas. Mesmo no caso dos jovens são as bebidas mais consumidas" explica o médico Augusto Pinto em declarações à Lusa na véspera do Dia Nacional dos Alcoólicos Anónimos


De acordo com o presidente da Sociedade a crise que se vive atualmente no país "pode efetivamente agravar os consumos" e ao mesmo tempo levar "a consumos mais perigosos" acrescentando que a capacidade de desenvolver doenças "é mais grave nas bebidas destiladas" comparando com a ingestão de vinho.


"Sendo ambas portadoras de álcool a quantidade é maior nas destiladas o que faz prever uma redução do tempo necessário para chegar à  doença"alerta Augusto Pinto avançando que são necessários dez anos de consumo "elevado habitual regular e excessivo" para chegar à dependência mas caso as bebidas destiladas sejam consumidas regularmente a dependência surge mais cedo.


Para o médico a pessoa normalmente não se reconhece como doente pelo facto de "beber algumas vezes de forma excessiva e ficar  embriagado"situação que "entra dentro de uma normalidade aceite na sociedade" explica. De acordo com Augusto Pinto o facto de alguém beber com regularidade cria uma situação designada no meio médico como tolerância ou seja a pessoa vai aguentando se cada vez mais tempo sem ficar embriagada.


"Fica com a ideia de que aguenta cada vez mais a bebida e que isso é um aspeto positivo e não negativo. Ora quanto maior capacidade de consumo a pessoa tem (...)  mais perto está de ser meu cliente, doente" explicou Augusto Pinto desmistifica ainda o mito de que os doentes alcoólicos andam sempre embriagados alertando que é precisamente o contrário graças à tolerância que ganham através do tempo.


"Quando começam a reduzir essa capacidade de enorme tolerância é sempre um mau prognóstico Significa que em termos cerebrais e hepáticos as coisas estão piores ou agravadas" revela. De acordo com o especialista há muito a fazer na área da prevenção e intervenção precoce embora reconhecendo que a existência de um dia nacional possa chamar a atenção do problema revela que não tem o mesmo impacto ao nível de doentes com outro tipo de patologias porque se tratam de doentes com dificuldade em aparecer na sua maioria anónimos.


Diário Açores - 19/03/2014

  • Instituto da Droga e da Toxicodependência
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  • Ministério da Saúde
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